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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

42 ex-prefeitos foram condenados; confira a lista

 

 
Quarenta e dois prefeitos e ex-prefeitos foram condenados pelo Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), de janeiro de 2012 a setembro de 2014, por envolvimento em algum tipo de crime no exercício do cargo.
As penas aplicadas incluem cassação de mandato, bloqueio de repasses estaduais e federais; detenção em regime aberto, convertida em prestação de serviços à comunidade; afastamento; pagamento de multa de cinco vezes o valor da remuneração; e a inabilitação ao exercício de cargo ou função pública pelo prazo de cinco anos.
Entre os crimes que levaram os prefeitos e ex-prefeitos à condenação constam improbidade administrativa, atraso ou fraude na prestação de contas, lesão ao erário público, desvio de verbas, falsidade ideológica, contratação de servidores sem concurso, fraude em licitações, falta de comprovação de aplicação de recursos do Fundo Municipal de Saúde (FMS), má aplicação dos recursos do FUNDEB, fragmentação de despesas e dispensa irregular de licitações.
Confira lista dos ex-gestores condenados em 2012:
Raimundo Galdino Leite (São João do Paraíso);
Mercial Lima de Arruda (Grajaú);
João Batista Freitas (São Vicente Férrer);
Agamenon Lima Milhomem (Peritoró);
Lenoílson Passos da Silva (Pedreiras);
Antonio Marcos de Oliveira (Buriticupu);
Lourêncio de Moraes (Governador Edison Lobão);
Rivalmar Luís Gonçalves Moraes (Viana);
Cleomaltina Moreira (Anapurus);
Socorro Waquim (Timon);
José Ribamar Rodrigues (Vitorino Freire);
Manoel Mariano de Sousa, o Nenzin (Barra do Corda);
João Alberto Martins Silva (Carolina);
José Francisco dos Santos (Capinzal do Norte);
Ilzemar Oliveira Dutra (Santa Luzia).
Raimundo Nonato Jansen Veloso (Pio XII);
José Reinaldo Calvet (Bacabeira);
Francisco Rodrigues de Sousa (Timon); Jomar Fernandes (Imperatriz)
Condenados e cassados por improbidade administrativa:
Glorismar Rosa Venâncio, a Bia Venâncio (Paço do Lumiar) e Francisco Xavier Silva Neto (Cajapió).
Condenados em 2013:
Francisco Xavier Silva Neto (Cajapió);
Deusdedith Sampaio (Açailândia);
Ademar Alves de Oliveira (Olho D’água das Cunhãs);
José Vieira (Bacabal);
Francisco Rodrigues de Sousa, o “Chico Leitoa” (Timon);
Cláudio Vale de Arruda (Formosa de Serra Negra);
Ilzemar Oliveira Dutra (Santa Luzia);
Maria José Gama Alhadef (Penalva);
Raimundo Nonato Jansen Veloso (Pio XII);
Francisco das Chagas Bezerra Rodrigues (Riachão).
Condenados em 2014:
Atenir Ribeiro Marques (Alto Alegre do Pindaré);
Marcos Robert Silva Costa (Matinha);
Antonio Reinaldo Sousa (Passagem Franca);
Raimundo Nonato Borba Sales (Cantanhede);
Jomar Fernandes (Imperatriz);
Manoel Albino Lopes (Altamira do Maranhão);
Nerias Teixeira de Sousa (São Pedro da Água Branca);
José Miranda Almeida (Brejo de Areia);
Alcir Mendonça da Silva (Zé Doca);
Adail Albuquerque de Sousa (Montes Altos);
Glorismar Rosa Venâncio (Paço do Lumiar).

OS SUPLENTES DOS DEPUTADOS FEDERAIS E ESTADUAIS ELEITOS NO MARANHÃO.

DEPUTADOS FEDERAIS
Candidato
Votação
PRA FRENTE MARANHÃO 1   (7 eleitos)
HILDO ROCHA
125.521
CLEBER VERDE
105.243
SARNEY FILHO
91.669
PEDRO FERNANDES
85.507
VICTOR MENDES
85.034
JOÃO MARCELO
83.847
ALBERTO FILHO
67.885
DAVI ALVES SILVA JÚNIOR - Suplente
63.706
CHIQUINHO ESCORCIO - Suplente
56.983
PAULO MARINHO JR - Suplente
51.011
TODOS PELO MARANHÃO 3 (5 eleitos)
ELIZIANE GAMA
133.575
RUBENS PEREIRA JÚNIOR
118.115
ZÉ REINALDO
86.728
WALDIR MARANHÃO
66.274
JOÃO CASTELO
52.783
LUANA ALVES - Suplente
51.418
DUTRA - Suplente
40.424
SIMPLÍCIO ARAÚJO - Suplente
38.991
DEMOCRACIA TRABALISTA (2 eleitos)
JUSCELINO FILHO
83.955
ALUISIO MENDES
50.658
RICARDO ARCHER - Suplente
49.797
CHICO COELHO - Suplente
44.897
PEREIRINHA - Suplente
38.744
POR UM MA MAIS FORTE (2 eleitos)
ANDRE FUFUCA
56.879
JUNIOR MARRECA
50.962
ILDON MARQUES - Suplente
31.370
LOURIVAL MENDES - Suplente
27.277
DR. TALVANE HORTEGAL - Suplente
23.262
PRA SEGUIR EM FRENTE (1 eleito)
ZÉ CARLOS
90.531
TRINCHÃO - Suplente
87.793
FÁBIO GONDIM - Suplente
15.293
TODOS PELO MARANHÃO 2 (1 eleito)
WEVERTON ROCHA
81.161
JULIAO AMIN - Suplente
64.896
ROSÂNGELA CURADO - Suplente
37.726



DEPUTADOS ESTADUAIS
Candidato
Votação
PRA FRENTE MARANHÃO 2 (16 eleitos)
JOSIMAR DE MARANHAOZINHO
99.252
ANDREA MURAD
77.889
DR. ANTONIO PEREIRA
73.353
ROBERTO COSTA
57.569
EDILAZIO
56.239
NINA MELO
52.979
LEO CUNHA
50.828
MAX BARROS
49.495
ADRIANO SARNEY
48.463
STENIO REZENDE
41.857
RIGO TELES
41.016
ROGÉRIO CAFETEIRA
37.229
CESAR PIRES
36.221
VINICIUS LOURO
32.870
FABIO BRAGA
29.612
HEMETERIO WEBA
27.459
CAMILO FIGUEIREDO - Suplente
25.815
PR.CAVALCANTE - Suplente
23.796
CARLOS FILHO - Suplente
23.491
TODOS PELO MARANHÃO 4 (9 eleitos)
HUMBERTO COUTINHO
67.982
BIRA DO PINDARÉ
38.829
NETO EVANGELISTA
36.297
FÁBIO MACEDO
35.770
RAIMUNDO CUTRIM
33.760
VALÉRIA MACEDO
33.159
PROFESSOR MARCO AURÉLIO
30.900
SÉRGIO FROTA
30.525
OTHELINO NETO
30.196
RAFAEL LEITOA- Suplente
27.055
FERNANDO FURTADO - Suplente
17.472
GARDÊNIA CASTELO - Suplente
16.939
Força Jovem (3 eleitos)
SOUSA NETO
48.118
ALEXANDRE ALMEIDA
36.021
PAULO NETO
34.580
MARCOS CALDAS - Suplente
30.834
FABIO GENTIL - Suplente
30.560
ENOQUE MOTA - Suplente
15.772
MUDANÇA PARA UM NOVO MA (3 Eleitos)
WELLINGTON DO CURSO
22.896
DR. LEVI PONTES
19.603
CABO CAMPOS
19.298
LUCIANO GENÉSIO - Suplente
18.728
RILDO AMARAL - Suplente
14.046
JAIMIZINHO - Suplente
13.663
Partido Republicano Brasileiro   (3 eleitos)
GLALBERT CUTRIM
85.984
ANA DO GÁS
78.287
JUNIOR VERDE
32.223
DR. PADUA - Suplente
22.013
ALBERTO FRANCO - Suplente
6.376
HANNYS - Suplente
978
VAMOS JUNTOS MARANHÃO   (3 eleitos)
EDUARDO BRAIDE
47.519
CARLINHOS FLORENCIO
42.032
RICARDO RIOS
38.575
JOTA PINTO - Suplente
37.638
SERGIO VIEIRA - Suplente
12.142
DR. ANTONIO REIS - Suplente
8.664
Partido dos Trabalhadores   (2 eleitos)
ZÉ INACIO
38.753
FRANCISCA PRIMO
27.330
DR YGLÉSIO - Suplente
16.032
VALDINAR BARROS - Suplente
14.033
AMÉRICO DE SOUSA - Suplente
10.685
Partido Social Liberal   (2 eleitos)
EDSON ARAUJO
55.269
GRAÇA PAZ
30.313
ROMA - Suplente
17.753
CRISTOVAM - Suplente
4.321
TONY FERREIRA - Suplente
4.030
Partido Trabalhista Cristão   (1 eleito)
EDIVALDO HOLANDA
31.688
TOCA SERRA - Suplente
22.805
NONATO ARAGÃO - Suplente
21.554

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Mais pobres votam maciçamente em Dilma no Maranhão

 

 
Dos municípios mais pobres do estado, não foi só Belágua que deu expressiva votação para a candidata do petrolão e do mensalão, Dilma Rousseff (PT).
Das dez cidades do estado que figuram na lista dos piores indicadores sociais do país, somente em uma a petista venceu com percentual um pouco menor do que 70%.
Em todas as demais, o resultado foi muito acima dos 70%, fato que contribuiu para que o estado desse uma vitória de 69,56%, sem qualquer esforço da candidata no sentido de vir pedir no Maranhão.
aecio-dilma-eduardo-marina
Em Marajá do Sena, o antepenúltimo município mais pobre do país, Dilma obteve 82,58%; no penúltimo (Fernando Falcão), 77%.
Confira no quadro os 10 municípios com piores indicadores sociais e com o resultado da votação dos três candidatos mais votados:
pobres votando em dilma

segunda-feira, 10 de março de 2014

Fantástico mostra situação precária de escolas públicas em Alagoas, em Pernambuco e no Maranhão Escola com infraestrutura elementar tem que ter água, banheiro, esgoto, energia elétrica e cozinha. Quase metade das escolas brasileiras é assim.


Um retrato do abandono do ensino público no Brasil. São escolas sem água potável, sem banheiro e até sem sala de aula.
Durante dois meses, os repórteres Eduardo Faustini e Luiz Cláudio Azevedo percorreram escolas públicas dos estados que tiveram as médias mais baixas no Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa).
“O percurso deles é em torno de 20, 30 quilômetros. Muitos acordam duas, três horas da manhã, para pegar um caminhão, para que esse caminhão leve até a rodovia, para da rodovia vir de um transporte fornecido pela prefeitura do município: o ônibus escolar”, conta um morador de Joaquim Gomes, em Alagoas.
 “A rua é assim desse jeito. Os meninos, a gente atravessa eles no braço, porque não quer ver eles molhado. Caderno, eles não dão”, conta uma moradora de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco.
“Essa água não é ideal para ser tomada e, principalmente dar ela para as crianças. Isso aí tem um germe total. Eu trabalho aqui, mas dela eu também não bebo”, revela um homem.
“Tem aluno que até cai da carteira, principalmente os menores, da educação infantil”, diz uma moradora de Codó, no Maranhão.
“Quando temos a necessidade de irmos para o banheiro, nós vamos para o mato. Os alunos e a professora”, afirma uma mulher.
O que a reportagem mostra são escolas em que falta tudo, escolas que nem de longe lembram uma escola. O que não falta é a força de vontade de alunos, professores e pais que sofrem com as péssimas condições de ensino. Sofrem e ficam indignados.
“Ei, quatro anos sem receber farda, aqui, ó”, conta uma mãe. “Sem receber farda, sem ninguém dar atenção para gente”, afirma uma outra mãe. “As crianças da gente são desprezada aqui dentro”, reclama.
O Fantástico mostra a situação da entrada de uma escola municipal, em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco.
“Quando chove, a água invade, e chegam molhados, tudo sujo. Aí a situação. Aí não tem. Um bebedor bom não tem. Papel higiênico não tem”, afirma a mãe de aluno Maria Betânia dos Santos.
Revoltada, ela diz que as professoras pedem aos pais até material de limpeza: “Elas pedem à gente uma vassoura, pedem detergente. É o que for para botar aqui. Para ajudar aqui. E tem vez que as pobrezinhas passam quase um mês sem receber. Aí como é isso?”.
Isso é a realidade de escolas públicas em Alagoas, em Pernambuco e no Maranhão.
Na mais recente pesquisa brasileira do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), esses estados estão entre os que tiveram as notas médias mais baixas. Os repórteres do Fantástico passaram dois meses registrando as condições de escolas nesses estados.
Fantástico: Que horas você sai de casa?
Williana Soares (aluna): Quatro horas.
Everton Guedes Cavalcante (aluno): A hora que eu saio de casa, o máximo é 4h10, mas me acordo 3h50.
Só tem um jeito para o Everton e para a Williana irem à escola: de caminhão.
“Tem uma base de uns 55 alunos que nós vai (sic) nesse caminhão. Só que tem a dificuldade da estrada”, explica o motorista José Fernandes de Melo.
É uma estrada de terra. Depois dessa viagem, em Joaquim Gomes, em Alagoas, é que eles pegam o ônibus escolar da prefeitura. Mas e quando chove?
“Com dia de sol, nós consegue (sic). Quando choveu, não consegue chegar aqui”, conta o motorista.
O jeito então é ir... “Andando. Fora a ladeira que tem para subir”, conta Williana.
Ou então... “É ficar em casa mesmo, sem poder ir para a escola”, admite Everton.
Já em Lagoa Grande, em Pernambuco, quem não tem caminhão vai de charrete. Seu Francisco diz que a filha, a Rosileide, se queixa quando a escola não pode funcionar.
Em Codó, no Maranhão, o André e o primo dele, o Eduardo, são vaqueiros de manhã. De tarde, caminham 35 minutos até a escola.
Por lá, falta quase tudo. Não falta carinho. “Vocês são guardado no lado esquerdo do meu coração. Então, sejam bem-vindos mais este ano que nós temos aqui para trabalhar, para melhorar, para ver os nossos acertos”, anuncia a professora.
Em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, se chegar a uma escola assim não é fácil, entrar também pode ser bem difícil, como foi visto no início da reportagem.
Na frente de outro colégio da mesma cidade, a situação é pior ainda: o esgoto está aberto. E ainda uma terceira escola enfrenta o mesmo problema, no mesmo município.
“Está há seis anos assim. Agora, é o que a gente diz para as mães: nós como funcionários vamos entrar. Nós somos funcionários, precisamos preservar a escola aberta para o aluno”, diz a secretária escolar Maria Vieira de Araújo.
Fantástico: Como que a senhora chegou hoje para dar aula? Qual foi a situação que a senhora encontrou na sala de aula?
Auriele Galvão (professora): A escola toda estava alagada. Não é goteira, é chuva mesmo. Eu afasto todas as cadeiras, boto todo mundo pro canto, e coloca baldes aqui. A água desce todinha pela parede. Inclusive eu já perdi trabalhos que a gente realiza trabalhos com os alunos, coloca nas paredes em exposição, mas aí desce tudo, molha tudo.
Você pode pensar que é uma cidade muito longe dos grandes centros, mas não é: Jaboatão dos Guararapes fica a cerca de seis quilômetros do metro quadrado mais caro de Recife, na praia de Boa Viagem.
Finalmente, a aula começa, inclusive na escola indígena Pajé Miguel Selestino da Silva, em Palmeira dos Índios, em Alagoas. O que falta é a própria sala de aula.
Fantástico: Há quantos anos o senhor dá aula nessa situação aqui?
Jecinaldo Xucuru Cariri (professor): Há mais de dois anos que eu venho ministrando aula debaixo da mangueira. É bastante complicado, até porque de repente vem uma chuva, então tem que todo mundo correr e abandonar a aula.
Em uma galpão, funciona outra sala. É uma situação de improviso, porque a sede original da escola não tem mais condições de uso e está interditada. No galpão, os alunos ficam espremidos. Além do desconforto, tem o perigo.
A escola municipal em Codó, no Maranhão, se chama Divina Providência e espera providências há muito tempo.
Fantástico: Há quanto tempo essa escola está assim? Do jeito que está assim hoje.
Deusdet Oliveira Matos (comerciante): Está com mais de 15 anos.
O Deusdet é um comerciante que construiu a escola há 50 anos e, do jeito que pode, continua tomando conta dela.
Deusdet Oliveira Matos: Quando está gotejando, eu vou, tiro a goteira. Agora, esse ano eu ia fazer essa parede de tijolo, mas ainda não fiz.
Fantástico: O que leva o senhor a cuidar dessa escola?
Deusdet Oliveira Matos: O espírito de humanidade, para poder auxiliar os filhos dos moradores a não se criarem analfabeto.
“A situação, como vocês estão vendo, desde o ano passado que a gente está desse jeito. A falta de cadeira, sentam e não tem o braço da cadeira. Eles estão com dificuldade para escrever. E eu estou utilizando a minha mesa, para que eles fiquem mais à vontade. O que eu posso fazer eu estou fazendo”, diz Juciara de Souza, professora em Petrolina, Pernambuco.
Em uma das cadeiras é possível ver parafuso para fora.
“Eu gostaria que tivesse cadeiras boas e que não fossem quebradas”, afirma uma aluna.
“Já teve caso de criança perder aula, porque não tinha cadeira”, conta a mãe de aluno Edineide Helena da Costa.
“O piso da escola não é adequado para o tipo de carteira, porque as carteiras, como é você pode ver, é um cano. Então, elas afundam no chão. E aí tem aluno que até cai. Aí chora, devido ao chão batido, que aqui não sabe se aqui é uma subida, ou ali é uma descida. É um desnível total. Porque aqui era uma casa de moradia. Era uma pessoa que morava aqui. Aí montou essa escola aqui para eles”, conta Rosa Maria Pereira Cunha, professora em Codó, no Maranhão.
As escolas visitadas pelo repórter Eduardo Faustini ficam em regiões bem quentes. Nas salas, todo mundo se queixa do calor. “É quente. No calor não tem quem suporte”, reclama a aluna Mayara Nunes de Alencar, em Petrolina, Pernambuco.
“Tem um ventilador, mas na outra sala. Um ventilador não é suficiente para os aluno. É muito aluno”, diz a zeladora Josiane Barbosa da Silva, de Lagoa Grande, Pernambuco.
Em outras escolas, um, dois ou um monte de ventiladores, nada resolveria, porque elas não têm energia elétrica.
Rosa Maria Pereira Cunha (professora em Codó, no Maranhão): Quando chove, fica escuro.
Fantástico: Não tem luz.
Rosa Maria Pereira Cunha: Tem não. Não tem luz.
Como beber água nessas condições? E como fazer a merenda?
“Para beber água, a gente pega água com a dona da terra. Pega uma garrafa de água e trago para cá, porque também está faltando filtro”, conta a professora Eliete de Araújo Lobes.
“Eu trabalho aqui, mas dela eu também não bebo, porque a gente vê a situação da água. Isso aí tem um germe total. Até lá em cima tem um pisador de cavalo e um pisador de boi. Tem uns bois que ficam aí atrás que bebem dessa água aí em cima da barragem”, José Dionísio Justino, professor em Joaquim Gomes, em Alagoas.
Celso Selestino (agente de saneamento em Palmeira dos Índios, em Alagoas): Não tem tratamento. Do jeito que ela passa aqui, ela abastece a cidade e não tem tratamento nenhum.
Fantástico: Agora tem algum sistema de filtro para proteger essa água?
Celso Selestino: Não. O filtro que tem aqui só isso aqui, não tem filtro nenhum. O pessoal é que coa a água ali e dá para as criança beber.
“A fossa é dentro da cozinha, e o suspiro é dentro da cozinha. Aonde a merenda já chega pronta e a gente tem que servir a merenda neste setor”, revela um funcionário de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco.
“Geralmente a merenda só aparece de maio a junho. Geralmente é nesse período que a merenda aparece”, diz uma funcionária de uma escola na cidade de Codó, no Maranhão.
“Custa a chegar. E quando vem, a gente se junta lá com a vizinha aqui, que me ajuda demais, e aí a gente faz a merenda para essas criança. E, quando não, eles comem fruta da estação. Desse jeito”, conta a professora Maria do Amparo dos Anjos.
Professora de Lagoa Grande, em Pernambuco: Às vezes não tem aula porque não tem a merenda.
Fantástico: Difícil, não é?
Professora: É complicado.
Fantástico: Como é que você se sente, assim, cuidando dessas crianças nessa situação?
Professora: Assim, eu me sinto... pequena, né? Que seus alunos não tá crescendo. Você sente como se tivesse diminuindo, não tá aumentando.
E aí, se o aluno tem o que comer e faz sua refeição, é hora de escovar os dentes. Mas em que banheiro?
“A água que a gente tem para botar nas descargas. Ontem, quem fez a limpeza fomos nós, os professores. Ó, aqui não tem a torneira”, denuncia a professora Marilucia Gomes de Sá, professora em Petrolina, Pernambuco.
“O ano passado eles estudaram sem banheiro, não tinha banheiro”, conta Francisco da Silva, pai de um aluno em Lagoa Grande, Pernambuco.
Josiane Barbosa (zeladora em Lagoa Grande, Pernambuco): Ó, tem esse banheiro aqui. Não tem luz, todo esculhambado. Tão fazendo um ali fora, mas começaram e não terminaram ainda.
Fantástico: A descarga funciona?
Josiane Barbosa: Não.
Fantástico: Como é que faz o aluno quando precisa ir ao banheiro?
Funcionária: Os meninos vão para detrás da escola, e as meninas, do outro lado, assim como a professora também. Que nós não temos banheiro.
Fantástico: A senhora usa o mato quando...
Funcionária: Também.
Fim das aulas, hora de voltar para casa. Lama, viagem longa e perigosa, em mais um dia do ano letivo.
Essas escolas passam por inúmeras dificuldades. Para muitos professores, a situação é mais difícil ainda, porque eles têm que dar aulas para várias turmas ao mesmo tempo. É o chamado ensino multisseriado, bastante comum no Brasil.
Fantástico: Enquanto a senhora está dando aula para uma turma, a outra aguarda, é assim que é feito?
Professora: É. Sempre eu começo pela educação infantil, já tá aprendendo a coordenação motora. Eu passo primeiro. Aí vou para o outro que já está lá no quarto, quinto ano.
Algumas das escolas mostradas na reportagem oferecem aos alunos menos do que o mínimo do mínimo. Uma escola com infraestrutura elementar tem que ter água, banheiro, esgoto, energia elétrica e cozinha. Quase metade das escolas brasileiras é assim.
São 87 mil ou 44,5% do total de escolas no país, segundo estudo feito por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Federal de Santa Catarina.
“Escolas com estrutura precária em geral são escolas municipais e muitas dessas escolas são rurais. Se nós pegarmos escolas que atendem alunos com um nível socioeconômico equivalente, as que têm melhor estrutura tendem a oferecer melhor resultado”, diz José Joaquim Soares Neto, pesquisador da UnB.
A escola com a infraestrutura adequada tem sala dos professores, biblioteca, laboratório de informática, quadra esportiva e parque infantil. Conta também com acesso à internet e máquina de cópias.
E a escola com infraestrutura avançada tem tudo isso e ainda laboratório de ciências e instalações para estudantes com necessidades especiais.
Das 195 mil escolas brasileiras, pouco mais de mil são avançadas. Isso representa 0.6% do total. “Em geral, essas escolas estão em regiões como Sul e Sudeste”, completa o pesquisador.
Diante disso tudo, o que é que leva todos esses brasileiros, alunos, professores e também os pais, a seguir em frente?
O professor Elias Ferreira da Silva passou por algumas dessas situações que você acabou de ver, chegou à universidade e hoje dá aula na Escola São José, em Alagoas, aquela dos alunos que precisam do caminhão para ir à aula.
“É justamente essa vontade que eles têm de um futuro melhor que fazem ele ter essa força de sair 30 quilômetros, 20 quilômetros, 15 quilômetros, para chegar até a escola”, destaca Elias Ferreira da Silva.
“Ano passado, quando cheguei aqui, estava tudo caído, aí eu me sentei e, sinceramente, eu chorei”, revela uma professora.
“Eu queria que ela fosse grande, que tivesse vários professores, apesar que eu gosto de todos os meus professores, eles me ensinam muito bem”, comenta uma aluna.
“Eu sempre digo isso, que eu acho que a gente que trabalha na Zona Rural, nós somos realmente heroínas”, afirma uma mulher.
“Apesar desses lugares mais longínquos possível, vocês são o futuro dessa nação, construindo a sua própria história, ajudando a erguer mais esse país tão grande”, afirma uma professora. 
A Prefeitura de Codó, no Maranhão, diz em nota que vem melhorando a infraestrutura das escolas rurais. Afirma que, nos últimos cinco anos, foram construídas e equipadas 150 novas salas de aula. E que está prevista a construção de mais 28 escolas nos próximos 2 anos.
Veja o que os outros órgãos públicos têm a dizer:
A prefeitura de Jaboatão dos Guararapes informou na sexta-feira (7) que o trabalho de recuperação está em andamento.
“Já recuperamos 51 escolas e temos um cronograma de execução até o final do ano. As três escolas visitadas, desde a produção das imagens até o presente o momento, já resolvemos mais de 90% do que vocês filmaram”, afirma secretário de Educação de Guararapes, Francisco Amorim.
A Secretaria de Educação de Joaquim Gomes, em Alagoas, informa que tem projetos junto ao Ministério da Educação para obter recursos federais para recuperar escolas rurais e também urbanas. Novas cadeiras já estão sendo compradas e reparos estão sendo feitos nas escolas.
O secretário de Educação de Lagoa Grande, em Pernambuco, diz que o município está trabalhando na recuperação das escolas em regime de urgência.
“Encontramos o município totalmente sucateado. Fizemos um levantamento emergencial onde a gente poderia intervir de imediato”, afirma o secretário de Educação de Lagoa Grande, Daniel Torre.
A Secretaria de Educação de Alagoas afirma que a ordem de serviço para recuperação da Escola Estadual Pajé Miguel Selestino já foi assinada. Serão instalados um laboratório de informática e uma biblioteca.
As cadeiras da escola Joaquim Francisco da Costa, em Petrolina, Pernambuco, foram substituídas cinco dias depois de o Fantástico visitar a escola.
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